Editorial

OLHARCE. Olhar para si, percebendo-nos em relação aos acontecimentos que nos margeiam e nos levam além. Este espaço que aqui se inaugura vem possibilitar um passeio do olhar pelas conexões que se tecem nos fazeres e saberes da dança. Os deslocamentos de sentidos que provoca, os conhecimentos que produz, as estratégias criadas para continuar existindo e reinventando o mundo. Neste contexto, a Bienal Internacional de Dança do Ceará é um dos fios que são tecidos e trançados, ajudando a formar uma rede ainda maior de relações.

Este primeiro olhar é panorâmico e traz para a cena desta publicação os questionamentos sobre o fazer artístico suscitados pelo diálogo entre as diferentes linguagens. Será “danceidade” o estado de corpo que perpassa a dança e que também está presente no cinema, na literatura, no teatro, nas artes visuais, na cidade…? Esta é uma das discussões que movimentou a primeira edição do Encontro Terceira Margem, realizado pelo projeto Bienal De Par Em Par 2008, em outubro, na cidade de Fortaleza.

E para além da Bienal… como pensar uma ecologia da dança? De que forma a cidade e seus diferentes espaços e tipos de danças influem e instigam a criação? Que iniciativas públicas vêm mudando o cenário da dança no Ceará? São questões presentes tanto na versão eletrônica quanto impressa desta revista.

Que o olhar para a dança não se estagne na retina dos que produzem e dos que incentivam as políticas de produção nessa área, porque ele, o olhar, nos modifica e é modificado a todo instante pelo corpo…

Que venham as próximas edições permeadas de novos e instigantes olhares!

Thaís Gonçalves e Thatiane Paiva